Escritório
Tudo começou quando um filha da mãe na idade da pedra decidiu trocar 6 por meia dúzia. Pegou uma mercadoria e trocou com alguém que tinha interesse naquilo. Alguns séculos depois, alguém teve a ideia brilhante de trocar papel por suor. E trocar comida por papel.
Se o cara que inventou o mercado soubesse no que isso se transformaria, com certeza ele teria inventado algo mais produtivo, como a linguiça ou a salsicha. Foi ele que deu o ponta pé inicial para uma nova dimensão paralela chamada “Escritório”.
Uma dimensão paralela, pois no Escritório tudo é invertido, como que olhando através do espelho. O Escritório tem infinitas particularidades. Comida de Escritório, roupa de Escritório, escrita de Escritório, linguagem de Escritório. No Escritório, política, religião e sociedade são próprias.
A sociedade não é democrática, ela obedece uma hierarquia. A religião é chamada de “trabalho”. A política é nada mais que uma ferramenta do “trabalho”. Acontece que as relações pessoais no Escritório são muito diferentes. Como no teatro, o Escritório é a chance de demonstrar uma segunda personalidade. O problema é que a religião do Escritório não prega os princípios básicos do mundo real, como caridade, amor e compreensão.
Do outro lado do espelho o único fundamento básico da religião chama-se “lucro”. A religião do Escritório é maquiavélica. Não importam os meios para se chegar ao SantoGraal, o “lucro”. Quando uma pessoa atravessa o espelho, a cerveja transforma-se em café. A bermuda em calça social. O chinelo em sapato. O amigo em “colega de trabalho”.
A vontade muda de nome para pró-atividade. A fé …. trabalho. Diversão? Lucro. E até mesmo o sorriso é político. Alguns termos mudam de língua. Ao invés de retorno, você dá um “feedback”. Ao invés de objetivo, você corre atrás do “target”. E ao invés de arrumação, você pratica “housekeeping”. O problema chega quando ao invés de cansaço, você sente estresse.




